Março 19th, 2008

Andre Passamani: nerdpower e o equilíbrio forma-conteúdo.

por Mauro Amaral

André Passamani faz parte de um time que mas parece uma guilda renascentista onde, num grande galpão, todos buscam esculpir o cavalo de bronze do arqueduque de Sforza. Tá, Mestre Leonardo já fez isso em milquatrocentos e Aracy de Almeida, mas tivesse ele nascido no final do século XX e portanto hoje com seus 20 e poucos, com certeza estaria mostrando a pasta por lá. Os caras tem a manha. Falo da Colmeia.TV

E foi por isso que fiz o convite ao André depois de um bate-papo sobre o tema conteúdo em blogs que trocamos via Gtalk. É um tema recorrente, eu sei. Mas soa válido porque foi justamente sobre esta recorrência que decidimos falar.

Mauro#ping: André, vivemos um momento em que muito se discute sobre formatos e pouco se reflete sobre conteúdo. O que lhe parece que motiva esta inclinação? Não seria melhor investirmos neurônios em gerar conteúdo cada vez mais relevante?

passamani_gd.jpgMauro, agora estamos vivendo uma movimentação muito rápida. Os hábitos de consumo de mídia estão mudando. Nossa geração (25 a 35 anos) é uma geração de transição. Mais nerd. Diferente do que era o padrão. Quando eu era moleque, ser nerd, gostar de computador, não era legal. Não era cool. Hoje, os nerds estão no poder. O Campus Party foi isso aí. Uma declaração de vitória transmitida em blogs, no twitter e em toda “tal” de social media. O próximo termo da moda, pra mim, é o nerdfotainment! Essa eu aprendi ontem com o malungo aqui no trampo… :D

Então é natural que a gente se impressione e queira falar mais disso. Até pela empolgação - empolgação nossa, dos nerds - agora vestidos de oráculos. Mas concordo contigo. A relação forma-conteúdo está desequilibrada, no Brasil ainda mais viu?

Muita gente enxergando tudo isso como uma foto (algo estático) e não como um filme (algo em movimento).

Eu concordo contigo. Apesar da relação entre forma e conteúdo ser cada vez mais intrínseca, quem quer fazer conteúdo tem de pensar num jeito diferente de realizar a idéia. Mas se você fica numa discussão de forma cai numa aridez, na masturbação e esquece o principal. Qual a sua idéia? Que piada/história/crença você quer contar? Depois disso, e antes de discutir a forma, você tem de pensar qual é o tom dessa mensagem.

Andre#pong: A internet está ganhando cada dia mais conteúdo audio-visual, ficando mais multimídia e mais distante do jornal e do fanzine. Nesse processo o meio está mudando. Qual o saldo pra você? O que se ganha e o que se perde com essa mudança? Para você, qual a grande perda ou ameaça dessa mudança?

Há uns dois meses atrás enviei uma crônica que vai sair num livro sobre tendências no mercado digital. Como conheço o time e sei que muita gente vai falar sobre o tal formato, resolvi brincar um pouco e escrever um miniconto narrando como será a vida de um editor daqui há 20 anos. Não vou antecipar para não estragar a surpresa mas, basicamente, um profissional de conteúdo será um grande condutor de fluxos de produção do mesmo. Conhecer e entender a movimentação de grandes correntes. Ver o rio e não entrar, apenas jogar o barquinho de papel na hora certa.

Largando o lado figurativo de lado um pouquinho: num mundo cada vez mais áudio-visual caberá a nós entender que isso será conteúdo tanto como o texto que hoje produzimos. Para mim, que gosta de pesquisar e chafurdar por fontes (feeds, livros, contatos, para não perder o tom de o que vale é o conteúdo e não a forma :D) isso é um bônus maravilhoso. Poder trabalhar com um copião imenso chamado produção global de contéudo áudio-visual.

É claro que vamos ter baixas nesta batalha, sobretudo profissionais. Muita gente vai continuar pensando de forma centralizada e não colaborativa e aí reside o prejuízo-ameaça: podemos cair novamente na discussão vazia do formato, de comissões disso e daquilo e não saber contaminar/evangelizar a clientela com a boa-nova.

Acho que o eqüilíbrio vamos encontrar como você bem falou: contando histórias antes de pensar em imprimi-las, divulgá-las, gravá-las e cobrar os devidos cobres. Sei lá, basta lembrar que há 70 anos atrás a TV não existia e vivíamos o auge de um mundo todo em áudio e mono, no que se refere a comunicação de massa e hoje..

…podemos curtir o videocast de vocês….

Pra fechar este papo muito bacana, dá uma sacada no videocast onde André, Kazi e Dudu comentam as andanças deste pela europa, inclusive pela terra onde Garrincha[bb] deixou toda uma parelha de herdeiros:

 
Janeiro 11th, 2008

Jose Aparecido, economista, sobre a Blogosfera do Poder.

por Mauro Amaral

José Aparecido Carlos Ribeiro, economista, pesquisador e professor é meu amigo há tempos. Dividimos uma banda de garagem ali pelos anos 90 quando engatinhávamos em nossos fazeres profissionais e, mesmo depois disso, tentamos publicar um livro de ficção científica que daria uma EXCELENTE série para qualquer canal que topasse.

Devaneios a parte o que vale mencionar é que seguimos numa saudável troca de e-mails há dez anos, sobre temas como economia (sua especialidade), comunicação (a minha), cinema, quadrinhos e teorias conspiratórias universais – que aliás é um dos temas de um livro de ficcção científica que começamos a escrever e daria uma EXC…já falei sobre isso, né?

Para seguir com o Ping-Pong, resolvi convidá-lo para me ajudar a entender por que a blogosfera brasileira não cria tantos blogs sobre política quanto eu acho que poderia (ou até mesmo deveria).

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Novembro 15th, 2007

Longo prazo e preocupação com conteúdo, por Walmar Andrade do Fator W.

por Mauro Amaral

No primeiro ping-pong, o Merigo do Brainstorm#9 fez um rápido set sobre mídia gerada pelo consumidor e bloguismo profissional. Para a segunda partida, chamei o Walmar Andrade do fatorW (blog que recomendo) e já integrante da Galerasolo, para saber sua opinião sobre o imediatismo dos projetos web. Ele, como bom jogador, rebateu com sua preocupação na integridade e qualidade de projetos baseados em conteúdo, depois de entregues ao cliente. Confiram!

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Novembro 8th, 2007

Conteúdo, Propaganda e Bloguismo. Por Carlos Merigo - Brainstorm#9.

por Mauro Amaral

Para inaugurar um formato rápido e rasteiro de entrevistas aqui no Contém Contéudo, convidei Carlos Merigo, editor do maior e melhor blog de propaganda deste país, o Brainstorm#9.

Minha idéia com as entrevistas é a seguinte: uma pergunta eu faço, a outra o entrevistado faz para mim, podendo ou não ser no mesmo tema com o qual eu iniciei a conversa. Sem mais delongas, vamos lá.

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